Ácidos Graxos: gordura essencial para nossa energia

Ácidos Graxos: gordura essencial para nossa energia
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Certamente você já ouviu falar do ômega-3, do ômega-6 e do ômega-9. Mas talvez você ainda não saiba que eles são lipídeos ou gorduras essenciais utilizadas para fabricação de energia pelas nossas células. Na verdade, eles produzem mais energia que a glicose (carboidratos) e as proteínas. Quando ocorre a “queima” de um grama de glicose ou de proteínas, é produzida 4 kcal de energia. Já um grama de lipídio libera 9 kcal. Portanto, é muito importante a gente conhecer melhor estas moléculas. Afinal, se você quer ter uma boa saúde tem que ter primeiro ótimos níveis de energia.

Os ácidos graxos são formados por cadeias longas de carbono (de 4 a 28 átomos) que se transformam em gorduras, saturadas ou insaturadas, quando se unem a uma molécula de glicerol ou glicerina, que é um tipo de álcool produzido em nosso organismo pela fermentação dos alimentos. Estas gorduras são metabolizadas e armazenadas no fígado como reserva de matéria-prima para fabricação de  energia nos espaços de tempo que passamos sem nos alimentar.

GORDURAS SATURADAS E INSATURADAS

Muita gente tem medo das gorduras saturadas de tanta propaganda dizendo que elas são prejudiciais à saúde porque entopem nossas veias. Mas isto não é verdade. As gorduras saturadas, provenientes de alimentos de origem animal, são muito necessárias para a saúde de nosso coração, uma vez que este órgão funciona com energia fabricada pelas gorduras saturadas. Elas são chamadas de saturadas porque estão repletas de várias moléculas de hidrogênio e são ligadas por uma cadeia simples de carbono, enquanto as gorduras insaturadas, provenientes de óleos vegetais, não possuem hidrogênio e se formam em cadeias duplas de carbono, ou seja, em pares. As gorduras insaturadas se dividem ainda em monoinsaturadas, quando apresentam apenas uma ligação dupla de carbono, e polinsaturadas, quando possuem mais de uma ligação dupla. É muito importante ressaltar que, em temperatura ambiente, as gorduras saturadas são sólidas, a exemplo da gordura de porco, e as insaturadas são líquidas. Mas dentro de nosso corpo essa situação se inverte. As gorduras saturadas são liquefeitas e as insaturadas se solidificam em placas que realmente apresentam perigo para nossas artérias. Por isto, a gordura de porco é muito mais saudável do que o óleo de soja ou qualquer outro óleo vegetal e também a manteiga é muito melhor do que as margarinas. Outra vantagem das gorduras saturadas é que elas são mais estáveis e menos oxidáveis. É por isto que a gordura de porco pode ser guardada fora da geladeira sem qualquer conservante por longo período de tempo sem se deteriorar.

ÔMEGA 3

Um dos tipo de ácido graxo, o ômega 3 é uma gordura proveniente de peixes de água do mar, como salmão, atum e sardinha, mas também de uma fruta tipicamente brasileira, o abacate. Trata-se de uma gordura com poder anti-inflamatório, anti-oxidante e com capacidade de ativar a produção de neurônios, o que a torna um excelente coadjuvante no tratamento ou prevenção de doenças degenerativas do cérebro, como o Alzheimer. Em 2014, a Associação Brasileira de Nutrologia emitiu um parecer reconhecendo a contribuição do ômega 3 na formação da massa cinzenta do cérebro dos bebês. E chegou a preconizar, inclusive, a suplementação de ômega 3, na forma de DHA (ácido docosahexaenoico) para mulheres nos dois últimos trimestres de gestação, durante a amamentação e até os 2 anos de vida da criança. Isto porque o ômega 3 está associado ao desenvolvimento do sistema nervoso central, uma vez que interfere positivamente na comunicação entre os neurônios. Ou seja, ajuda eles se entenderem melhor. Contudo, esta suplementação tem que ser totalmente prescrita e acompanhada por um médico.

Pela sua característica anti-inflamatória e anti-oxidante, o ômega 3 tem sido também muito usado para a prevenção do câncer, uma vez que a formação de tumores malignos está diretamente associada a processos inflamatórios em nosso organismo. Contudo, é preciso ter muito cuidado com a ingestão do ômega 3, principalmente sob a forma de suplementação mediante capsulas adquiridas livremente no mercado, uma vez que elas não são registradas como medicamentos e sim como alimentos. Além de muitas não fornecerem ômega 3 puro, o uso destas capsulas pode levar a uma situação indesejável de provocar justamente o efeito inverso que se procura com o seu uso. Expor a pessoa a maior propensão ao desenvolvimento de tumores cancerígenos, pois em excesso pode se tornar pró-inflamatório. Portanto, muito cuidado com a propaganda enganosa sobre o ômega 3. A recomendação médica é que você adquira esta gordura por meio natural, ou seja, pela sua alimentação.

ÔMEGA 6

Há controvérsias sobre os benefícios do ômega 6 para a nossa saúde. Enquanto uns defendem que eles são fundamentais para o bom funcionamento do nosso organismo, agindo na proteção contra a hipertensão ou pressão alta, eliminando o excesso de glicose de nosso sangue e evitando a oxidação do colesterol LDL, estudos conduzidos nos Estados Unidos pelo  Instituto para Doenças Neurológicas Gladstone, da Califórnia, mostrou em experiência com ratos que uma alimentação rica em ômega 6 danificou neurônios e prejudicou a memória destes animais em laboratório. Os estudos ainda não são conclusivos, mas levantaram uma suspeita perigosa sobre estes ácidos graxos. São fontes naturais de ômega 6 os óleos vegetais, inclusive o azeite de oliva, o amendoim, o leite, ovos, carnes, abacate e o açafrão, por exemplo.  Quanto aos óleos vegetais há um outro perigo no consumo do ômega 6 por meio deles. Quando usados em alta temperatura, como é o caso das frituras, o ômega 6 contido neles oxida e já entra para o nosso organismo com poder inflamatório capaz de danificar células saudáveis e provocar tumores. Portanto, a primeira regra para o ômega 6 é nada de suplementação. E, a segunda, evite os óleos vegetais como fonte de frituras.

ÔMEGA 9

Ao contrário do ômega 3 e do ômega 6 que são polinsaturadas, o ômega 9 é uma gordura monoinsaturada, pois possui uma única dupla ligação de carbono em sua molécula, o que a torna muito mais flexível e fácil de ser metabolizada. São muitos os benefícios do ômega 9 para a saúde. Esta gordura auxilia na produção de hormônios sexuais, como estrogênio e testosterona, funciona como isolante térmico (proteção contra temperaturas extremas), é co-responsável pela formação das membranas das células e possui importante papel no transporte e absorção da vitamina A, vitamina D, vitamina E e vitamina K. Outra diferença do ômega 9 para o ômega 3 e o ômega 6 é que enquanto estes não são produzidos pelo nosso organismo, dependendo exclusivamente de serem absorvidos pela alimentação, o ômega 9 é produzido naturalmente pelo nosso corpo.  Mas há muitos alimentos que também fornecem ômega 9, como o azeite de oliva, a azeitona, o abacate, o amendoim, as castanhas e as nozes. Portanto, nada de suplementação para o ômega 9.

GORDURA TRANS

Não poderíamos fechar este artigo sem falar do perigo da gordura trans, uma gordura artificial criada a partir de ácidos graxos e cujo consumo está associado a incidências de derrames e infartos do miocárdio. A gordura trans é muito usada pela indústria alimentícia na fabricação de margarinas, por exemplo, ou na fritura de vários petiscos consumidos em larga escala pelas crianças. Infelizmente, as mamães vêem este produtos como inofensivos ou mesmo como alimentos e enchem as prateleiras com estas guloseimas. A gordura trans é produzida com a injeção massiva de moléculas de hidrogênio para romper as insaturações de óleos vegetais e transformá-los em gorduras vegetais hidrogenadas, acrescentando um sabor que agrada muito ao paladar. Se não fosse esse processo conhecido como hidrogenação seria impossível obter uma margarina sólida, pois os óleos vegetais são líquidos em temperatura ambiente.