Dieta Cetogênica: aprenda como fazer sua alimentação

Para entender a dieta cetogênica é preciso primeiro saber porque ela se chama cetogênica. Então vamos começar por aqui. Toda gordura que consumimos é processada no fígado, através do nosso metabolismo, retirando dela ácidos graxos essenciais para fabricação de energia pelas nossas células. Certamente você já ouviu falar em ômega-3, ômega-6 e ômega-9. Pois é, eles são ácidos graxos, que produzem mais energia que a glicose (carboidratos) e as proteínas. Durante o trabalho de processamento da gordura, o fígado também produz uma outra substância chamada corpos cetogênicos. O nome dieta cetogênica vem justamente do fato de que os níveis dos corpos cetônicos aumentam quando se pratica esse tipo de alimentação. Isto acontece porque na dieta cetogênica a ingestão de carboidratos é reduzida ao mínimo. Com isto, o nosso organismo entra em um estado de cetose, que é a otimização da quebra da gordura para obter energia, já que não existe energia suficiente proveniente dos carboidratos. Ou seja, nosso corpo tem que aproveitar totalmente as fontes de gordura que ingerimos para produzir energia e sustentar a nossa vida.

BENEFÍCIOS DA DIETA CETOGÊNICA

Alzheimer

Os corpos cetogênicos são a principal fonte de energia para o cérebro. Quanto mais corpos cetogênicos disponíveis mais o nosso cérebro irá funcionar melhor. Está comprovado cientificamente que o Alzheimer é um processo inflamatório das células do cérebro gerado pelo acúmulo de toxinas neste órgão, causando a demência. E já se sabe também que o excesso de glicose na corrente sanguínea que chega ao cérebro provoca resistência à insulina pelos nossos neurônios, o que levou os pesquisadores a chamar o Alzheimer de “diabetes do cérebro”. A insulina é importante para proteger os neurônios e manter a memória. Mas com a resistência, as células cerebrais simplesmente param de reagir à insulina, substância que faz faxina eliminando as toxinas de nosso cérebro. Por isso, que tem diabetes corre um risco aumentado de desenvolver também o Alzheimer.

Epilepsia

A dieta cetogênica é também muito indicada para quem sofre de epilepsia. Tanto é que a grande maioria dos epiléticos, quando começa a ser tratado com esta dieta, consegue até eliminar os medicamentos.

Diabetes

Da mesma forma que a dieta cetogênica combate o “diabetes do cérebro” ela também atua no controle e, em alguns casos, até na eliminação do diabetes do corpo. Isto acontece porque, ao baixar muito a quantidade de carboidratos, nosso organismo passa a produzir também uma quantidade menor de insulina. Quem tem pré-diabetes vai ter uma regressão e quem já tem diabetes e toma medicamento também pode experimentar uma regressão do quadro da doença.

Câncer

Em 1930, o médico alemão Dr. Otto Heinrich Warburg, Ph.D em química, indicado a 46 prêmios e vencedor de dois prêmios Nobel, desvendou um mecanismo que mudou a forma de pensar na nutrição e o câncer. Ele acreditava que tumores poderiam ser tratados rompendo sua fonte de energia, o açúcar. Segundo nos ensina o médico e nutrólogo Dr. Lair Ribeiro, “o principal combustível das células saudáveis é o oxigênio e é através dele que o corpo gera energia para funcionar. O que Dr. Otto Warburg descobriu por meio de suas pesquisas é que as células cancerígenas vivem em ambiente ácido e perdem a capacidade de utilizar o oxigênio, passando a ser anaeróbico. Incapacitado de utilizar o oxigênio para gerar a energia por meio aeróbico, as células cancerígenas recorrem ao açúcar”. Portanto, a lógica da aplicação da dieta cetogênica no combate ao câncer é muito simples. Cortando o provimento de açúcar das células cancerígenas elas morrerão de fome.

Emagrecer

Para quem deseja emagrecer de forma saudável, a dieta cetogênica é também uma excelente opção. É mais do que sabido que a pessoa engorda porque ingere mais calorias do que consome. Ou seja, come-se mais do que devia, principalmente alimentos de alto valor calórico, como massas, doces e bebidas adocicadas. Ao retirar estas fontes de carboidrato e de açúcar, o corpo vai emagrecer, sem qualquer risco, pois nosso organismo sabe viver com outras fontes de energia, como as gorduras e as proteínas.

Bom humor

A grande ingestão de carboidratos e açúcares faz o nosso organismo produzir também quantidades elevadas de glicose, o que provoca ansiedade, compulsividade e um humor bastante instável. Isto ocorre, principalmente, porque a glicose estimula a produção de dopamina no cérebro, um neurotransmissor que nos dá a sensação de prazer e bem estar e nos estimula a olhar a vida positivamente. Portanto, enquanto estamos sob o efeito da glicose, sentimos uma sensação de “felicidade”. E, logicamente, quanto a glicose baixa nosso humor também muda, nos sentimos ansiosos e desenvolvemos compulsividade para suprir este “vazio existencial”. É um efeito muito parecido como o que ocorre com os usuários de drogas estimulantes, como a cocaína. Por isso, a compulsividade por comer é muito comum em quem é “viciado” em glicose, chegando ao estágio perigosíssimo dos chamados quilos mortais”, pessoas que ultrapassam a barreira dos 200 quilos corporais.

COMO FAZER A DIETA CETOGÊNICA

Adaptação

Primeiramente, é aconselhável a pessoa passar por um período de adaptação, em que os níveis de carboidratos vão sendo reduzidos gradualmente. O açúcar, entretanto, pode ser cortado imediatamente. Este período pode levar cerca de dez dias, embora possa variar de pessoa para pessoa, de acordo com o nível de dependência da glicose de cada um. Por força do hábito, nosso organismo vai ficar buscando carboidrato para fabricação de energia. Então, quando passamos a oferecer menos caloria do que o normal, ele começa a se adaptar para aproveitar melhor as gorduras na fabricação de corpos cetogênicos e também na utilização dos ácidos graxos para produção de energia corporal.

Comer gordura

Portanto, para adotar a dieta cetogênica é essencial as pessoas perderem o medo de comer gordura, exceto as gorduras de fonte vegetal, como a soja, que são muito ricas em ômega-6, um tipo de lipídeo prejudicial ao nosso organismo, pois nos tornam propensos ao desenvolvimento de processos inflamatórios e também à formação de placas em nossas veias e artérias, podendo nos levar a um infarto ou AVC. As únicas gorduras vegetais saudáveis são o óleo de coco, o azeite, o óleo de amendoim e também as castanhas e o abacate. Passe a fabricar a sua gordura em casa. Compre toucinho no açougue, corte em fatias pequenas, unte uma panela de pressão e coloque para cozinhar sem água. Só não se esqueça, antes de fechar a panela, de retirar a borracha que veda a tampa. Em cerca de 40 minutos você já terá pronto sua gordura de porco, além de um delicioso torresmo. Para isto, tempere antes o toucinho com pimenta-do-reino e sal-alho a gosto.

Proteína

O ovo e a carne são também outros alimentos muito usados na dieta cetogênica, mas quem está com câncer não deve ingerir carne vermelha, pois além da glicose a célula cancerígena também se alimenta de glutamina, uma proteína existente nas carnes vermelhas. Estas pessoas devem comer somente carne de frango e peixes.

Verduras e Legumes

De baixíssimo valor calórico, as verduras e legumes são ingredientes essenciais na dieta cetogênica. Mas esqueça a “querida” batata frita. Este tubérculo apresenta grande quantidade de carboidratos e está classificado como de alto valor calórico, o que não acontece, por exemplo, com a mandioca, que devido à grande quantidade de fibras deste tubérculo seu valor calórico é baixo.

Cortar fontes de carboidrato

Portanto, a dieta cetogênica pode ser resumida em cortar todas as fontes de carboidrato, ou seja, todos os alimentos com alto teor de glicose, como pães, massas, batata, mel, tapioca, milho e cereais. É, de certa forma, uma dieta low carb mais radical.