DNA, o software da natureza que comanda todas as funções de nosso corpo

Conhecido cientificamente como ácido desoxirribonucleico, o DNA é como um programa de computador que contém todas as instruções genéticas que coordenam o desenvolvimento e funcionamento de todos os seres vivos. Este software está instalado no núcleo de nossas células, formado por uma sequência de cromossomos, nos quais estão os genes de cada indivíduo. Cada espécie possui um número específico de cromossomos. Nós, seres humanos, temos 46 cromossomos, 23 transmitidos pelo pai e 23 pela mãe, e cerca de 20 mil genes. O projeto Genoma Humano, concluído em 2003 com financiamento do governo dos Estados Unidos, mapeou toda a sequência do nosso DNA e a função que cada gene exerce em nosso organismo.

Quando uma célula nasce ela é como uma carro novo. Todos os genes funcionam perfeitamente, exceto quando temos um problema congênito, herdado de nossos antepassados, ou por acidente da natureza, que em informática chamamos de bug de programação, quando algum gene é gerado defeituoso. Até mesmo os carros às vezes saem de fabrica defeituosos e são chamados para um recall pelos fabricantes. Mas, com o passar dos anos, nossas células passam a sofrer várias agressões, principalmente a oxidação, que pode acarretar um processo degenerativo que altera o nosso DNA. O processo degenerativo é um desgaste natural de nosso organismo, da mesma forma como um carro usado vai apresentando problemas em seu funcionamento. E o que representa essa alteração no DNA? Vamos recorrer novamente a um programa de computador para entender isto de forma bem simples.

Um software é um conjunto de funções agrupadas em rotinas operacionais escritas em uma linguagem de programação que se comunica com o cérebro do nosso computador, formado pelo HD (disco de armazenamento de dados), o processador (que funciona como nossos neurônios) e a memória RAM (nossa mente operacional). Cada rotina pode conter milhares de linhas de comando. Se uma destas linhas for apagada ou corrompida por uma agressão externa, como um vírus cibernético, o programa simplesmente pode ser danificado completamente ou passar a operar com defeito. É o que também acontece com o nosso DNA. Vírus, bactérias e a oxidação também exercem uma agressão externa em nosso organismo que pode corromper as informações de nossos genes. E é justamente em nossos genes que estão armazenadas as rotinas operacionais de nosso software genético. Da mesma forma que no computador, alguma linhas podem ser apagadas ou corrompidas e o gene danificar o funcionamento correto da célula. Daí para a frente vários problemas de saúde podem acontecer com a pessoa. Um dos mais graves é o câncer.

A DEGENERAÇÃO DO DNA É A VERDADEIRA CAUSA DO CÂNCER

Todas as nossas células são programadas para se suicidar quando sofrem alterações no DNA e algumas por envelhecimento, mesmo quando estamos em idade juvenil. O problema é quando esta linha de comando, chamada apoptose, é apagada de nosso software genético. A função desta rotina é fazer a célula produzir na sua superfície uma molécula lipídica chamada fosfatidilserina, um sinal que atrai células do sistema imunológico para devorá-las, eliminando-as de nosso organismo. É uma verdadeira faxina do “lixo celular”. Mas, quando a função da apoptose é apagada em nosso programa genético, começa a ocorrer um problema muito perigoso. O crescimento desordenado desta célula, que se desprende de nosso tecido e passa fabricar uma verdadeira colônia celular autônoma, que dá início à formação de um tumor. Este tumor, da mesma forma que todas as nossas células, precisa se alimentar para ficar vivo e continuar crescendo. Então, ele se instala ao redor de algum órgão, principalmente onde encontra um processo inflamatório, e se agarra a ele começando a destruir as outras células sadias na competição pelo alimento, até à morte deste órgão e à nossa própria morte.

A OXIDAÇÃO DO DNA

O peroxinitrito é um dos mais poderosos oxidantes em nosso organismo. Ele pode danificar um vasto conjunto de moléculas existentes nas células, incluindo o DNA e várias proteínas essenciais para o nosso metabolismo. O peroxinitrito é formado pela junção de dois tipos de radicais livres, o superóxido e o óxido nítrico. É importante frisar que o peroxinitrito não é um radical livre, mas um agente oxidante muito forte. Daí a importância de uma alimentação bem balanceada em nutrientes antioxidantes, cujo papel é proteger as células sadias do organismo contra a ação oxidante dos radicais livres, moléculas produzias a partir da combustão do oxigênio no interior de nossas células durante o processo de fabricação de energia. Dentre os principais antioxidantes podemos destacar o ácido cítrico, contido no limão e na laranja por exemplo, a vitamina E, a curcumina encontrada no açafrão da terra, o selênio e os flavonoides, presentes em frutas como a uva, morango, maçã, romã e em outras de coloração avermelhada, e também em vegetais como brócolis, espinafre, salsa e couve, além do vinho tinto.

Além do câncer, a oxidação do DNA pode acarretar também uma série de outras doenças, como a aterosclerose, a obesidade, o diabetes, a hipertensão, o Alzheimer e o Parkison. A biotecnologia estuda formas de alterar genes defeituosos ou genes oxidados para prevenir o aparecimento ou tratar estas e outras doenças causadas por defeito de nossa programação genética. É como fazer uma edição num programa de computador defeituoso. O cientista simplesmente irá reescrever o nosso código genético, reinserindo as linhas de comando apagadas ou corrompidas, reiniciando o funcionamento normal e correto de todas as rotinas para as quais as nossas células foram programadas por meio do DNA.

Na verdade, não seria exagero afirmar que o DNA é a inteligência de Deus dentro de nós. Ele foi o nosso programador. Portanto, Deus também não seria perfeito, pois pode errar na sua programação. Mas isto não é verdade. Deus escreveu o DNA com perfeição. Então como ocorreu o defeito genético? Simples. Em algum momento na história de nossos antepassados algum deles sofreu uma degeneração de seu DNA e transmitiu esse defeito para seus descendentes. Mas Deus atribuiu aos cientistas a tarefa de desvendar o software que ele implantou em nós, para que adquiram o conhecimento de um dos maiores mistérios do universo, que é o DNA. Embora tenha sido mapeado, os cientistas sabem que eles só começaram a arranhar a imensidão deste software, ao mesmo tempo tão grande e compacto, capaz de caber no interior do núcleo de uma célula. A função deles será reescrever o DNA, para que este retome as suas funções originais. O problema é se os cientistas empolgarem demais e um dia resolverem brincar de Deus, alterando o código genético dos seres vivos para criarem novas espécies mutantes.