Existem duas medicinas: uma que cuida da saúde e a outra que trata das doenças

A medicina tem muitas especialidades, como cardiologia, oncologia, pediatria, obstetrícia, neurologia, psiquiatria e etc… Mas, do ponto-de-vista prático, ela se divide em dois ramos. Um que pode ser chamado de medicina patológica e o outro de medicina fisiológica. A diferença entre elas é muito simples. A medicina patológica, que pode ser considerada a medicina reconhecida como oficial pelos órgãos de saúde, tem seu foco no tratamento das doenças, enquanto a medicina fisiológica enfoca os cuidados com a saúde, ou seja, ensina as pessoas a se manterem saudáveis. E, quando trata das doenças, procura entender a fisiologia do problema, como e porquê a doença se desenvolveu no organismo da pessoa. Com isso, é possível reverter o quadro clínico do paciente restaurando as deficiências e corrigindo as pertubações que desencadearam a enfermidade.

Só para entender como uma e a outra funcionam vamos citar como exemplo uma criança que é levada ao pediatra da medicina patológica com uma tosse alérgica. No final da consulta, a mãe vai sair levando para casa uma receita de anti-histamínico, uma droga desenvolvida pela indústria farmacêutica para combater alergias. Ou seja, o médico diagnosticou a doença e prescreveu um medicamento para combatê-la de forma sistêmica. Se esta mesma criança fosse levada a um médico fisiológico ela certamente sairia do consultório com um pedido de exame para verificar o sistema imunológico da criança e, principalmente, o estoque de vitamina D no seu organismo, que deficientes serão a causa dos processos alérgicos. Para combater a tosse, que é uma defesa do organismo para expulsar os corpos estranhos que estão atacando as células e causando a alergia, bastaria um xarope caseiro a base de cenoura e mel.

Os médicos, quando passam pelas faculdades, são ensinados e treinados para tratar de doenças e se tornam excelentes vendedores de drogas farmacêuticas. Poucos vão além e se rebelam contra os rígidos protocolos  estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde sob forte influencia da poderosa indústria farmacêutica, que só no Brasil fatura mais de R$ 70 bilhões por ano, apresentando uma taxa de crescimento superior a 9% ao ano. As pessoas estão adoecendo cada vez mais e tomando também cada vez mais remédios. A medicina patológica trabalha justamente na ponta do problema. Ou seja, quando a pessoa adoece. E tem a sua disposição um verdadeiro arsenal de drogas para realizar o tratamento, embora nem sempre eficientes, principalmente para curar. Ela também é importante e precisamos dela. Afinal se um pessoa está doente precisa de tratamento para sua doença. A questão é que a maioria das doenças poderiam ser evitadas se os sistemas de saúde tivessem como foco principal a prevenção e ensinassem as pessoas a cuidar da sua saúde. Além disso, a cura de uma doença depende em mais de 90% não do tratamento sistêmico por meio das drogas, mas do conhecimento particularizado do organismo do paciente e da correção das deficiências e dos estragos que as pessoas fazem contra o seu próprio corpo por meio de uma alimentação errada, uso de substâncias tóxicas, como álcool e fumo, e um modo de vida que certamente acarretará várias patologias. Tem uma máxima da medicina antiga que diz “paciente cura a ti mesmo”. A cura verdadeira e duradoura vem do nosso próprio organismo. Uma droga pode aparentemente ter curado sua doença hoje, mas se o seu organismo continuar deficiente em minerais, vitaminas e proteínas ele certamente voltará a adoecer.

Um outro caso muito interessante é quando um médico receita para uma criança ou adulto a suplementação com cálcio. É um exemplo clássico da visão sistêmica de combater um problema sério de saúde que é a deficiência do cálcio em nosso organismo. O cálcio e o fósforo são a base principal da formação de nossos ossos, além do colágeno que é um tipo de alimento das células ósseas. O problema é que o cálcio sozinho não só não resolve o problema como irá causar outros problemas graves. Para se fixar nos ossos, o cálcio precisa de magnésio, vitamina D e sol, que é o responsável por ativar a vitamina D em nosso corpo. Se houver uma suplementação de cálcio isolada e a pessoa estiver carente de magnésio e vitamina D o cálcio não será absorvido pelos ósseos indo se depositar em artérias, podendo provocar infarto do miocárdio ou um AVC (Acidente Vascular Cerebral), além de formar pedras nos rins e na vesícula. O Ministério da Saúde deveria proibir as propagandas que bombardeiam diariamente as pessoas na tv receitando suplementação de cálcio.

A medicina é uma ciência muito importante para a humanidade. Os curandeiros sempre tiveram lugar de destaque nas tribos primitivas, como os médicos também têm hoje na sociedade moderna. Mas é preciso reverter a visão de que a alopatia é a única forma de tratamento. As drogas devem ser guardadas para situações especiais e emergenciais, quando a pessoa não pode esperar o resultado de uma mudança das carências de seu organismo. Se uma pessoa chega a um hospital infartado não existe outra saída senão a administração de drogas para tentar salvar a sua vida. Mas quando a pessoa aparece num consultório apresentando algum distúrbio coronário, antes da prescrição de drogas é preciso entender a fisiologia da sua doença e verificar como ela pode ser revertida simplesmente mudando hábitos alimentares, o sedentarismo, o tabagismo, o alcoolismo, e as carências de micronutrientes essenciais para a saúde do coração, sem falar no estresse, noites mal dormidas e até mesmo o uso de drogas receitadas para tratamento sistêmico de outras patologias do paciente.

Quando a medicina oficial abandonar a sua arrogância e subserviência à indústria farmacêutica e procurar entender a fisiologia da patologia uma nova era terá se iniciado e, então, em vez de duas teremos somente uma medicina trabalhando pela saúde das pessoas.