Leite de Vaca: beber ou não beber, questão que divide opiniões

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O leite materno é, sem dúvida, o alimento mais completo. Tanto que uma criança pode passar os primeiros seis meses de vida sendo alimentado exclusivamente por ele. Além de fornecer todos os nutrientes necessários para garantir o desenvolvimento do bebê, o leite materno também ajuda a imunizar o recém-nascido, principalmente nos primeiros dias de lactação na forma de colostro, provendo grandes quantidades de anti-corpos da mãe para a criança. Mas a controvérsia sobre o leite começa justamente depois dos seis meses de idade, quando a maioria das mamães param de amamentar e substituem o leite materno pelo leite de vaca. Na opinião de nutrólogos famosos, como Dr. Lair Ribeiro, o leite de  vaca é prejudicial para a saúde humana e ninguém tem necessidade de beber leite depois dos seis meses de idade quando abandona o peito da mãe. Entretanto, outros nutricionistas continuam recomendando o leite como uma bebida saudável e fonte importante de cálcio para o organismo.

Então, devemos ou não beber leite de vaca, bebida consumida por cerca de 54% dos brasileiros adultos?

COMPOSIÇÃO DO LEITE DE VACA

Alimento com alto teor de proteínas, fonte de vitamina D, potássio, magnésio, zinco, o leite de vaca é também uma das maiores fonte de cálcio na natureza, mas vegetais de folha escura, como o brócolis, fornecem quantidades muito maiores de cálcio. Contudo, segundo especialistas que defendem a ingestão diária de leite, ele é melhor absorvido pelo nosso corpo. A proporção é de 4 para um. Para cada porção de leite são necessárias quatro porções de brócolis para a pessoa obter a mesma quantidade de cálcio. Outra questão é que ninguém come brócolis diariamente. O leite é mais fácil, até pela praticidade de ser uma bebida, bastando somente um copo de leite por dia para suprir a necessidade diária de ingestão deste mineral tão importante para a manutenção de nossos ossos. As recomendações da OMS para consumo de cálcio varia de 300 mg a 400 mg por dia nos primeiros meses de vida (período da amamentação) até 1.300 mg/dia a partir da adolescência. Contudo, é necessário lembrar que a absorção do cálcio pelos ossos depende também da presença de magnésio e vitamina D em nosso corpo. Sem ser absorvido o cálcio pode se tornar perigoso, sendo depositado em nossas artérias, inclusive do cérebro e do coração, e causar infarto ou AVC.

Outras substâncias contidas no leite de vaca:

Lactose

É o açúcar do leite, que se decompõe em glicose e galactose. Muitas pessoas são intolerantes à lactose, distúrbio digestivo associado à baixa ou nenhuma produção de lactase pelo intestino delgado, enzima essencial para a digestão do leite. A lactase é que faz a decomposição da lactose, evitando que ela chegue ao intestino inalterada e seja fermentada pelas bactérias Streptococcus lactis, que fabricam ácido lático e gases. O excesso de ácido lático no organismo, que ocorre também durante muita atividade física, gera cansaço e dores musculares. A lactose pode também causar alergia, provocando diarreia, tosse e bronquite, por exemplo.

Caseína

Principal proteína do leite, está dispersa em grande número na forma de partículas sólidas que são tão minúsculas que não conseguem assentar e assim permanecem em suspensão. Fornece todos os aminoácidos essenciais para o organismo, incluindo os Bcaas (ajudam no ganho de massa muscular e controlam a fadiga) e a glutamina, um aminoácido que atua como nutriente energético para as células imunológicas e também atua na  promoção  do crescimento muscular.

Gorduras saturadas

Chegam a 3,4 gramas para cada porção de 100 ml de leite. Já foram identificados mais de 400 ácidos graxos no leite de vaca. O medo das gorduras saturadas de fontes naturais como o leite é infundada. Pesquisas recentes demonstram efeitos adversos de ácidos graxos trans, especialmente aqueles produzidos pela hidrogenação parcial de óleos vegetais, sobre as doenças cardiovasculares, os lipídeos sanguíneos, a inflamação, o estresse oxidativo, a saúde endotelial, o peso corporal, a sensibilidade à insulina e o câncer. O ponto crucial do qual grande parte da população não tem conhecimento é o fato de que existe grande distinção entre os ácidos graxos trans formados pelos animais e os produzidos industrialmente pelo homem, contidos nos óleos de soja, milho e outros. Só para se ter uma idéia da importância da ingestão de gordura para o nosso organismo, podemos citar dois exemplos básicos. A fonte de energia preferida das células do coração é a gordura saturada. A vitamina K, que é metabolizada em nosso intestino, precisa de gordura para ser transportada para o restante do nosso corpo e agir na coagulação do sangue evitando hemorragias.

Energia

Uma porção de 100 ml de leite fornece 61 kcal, um volume considerável de calorias para a produção de energia em nosso corpo.

Vale também ressaltar que o leite é uma bebida ligeiramente ácida, com pH variando entre 6,6 a 6,8. Portanto, deve ser consumido com precaução por pessoas sujeitas à acidose estomacal, gastrite e súlcera.

LEITE E OSTEOPOROSE

Outra controvérsia em torno do leite é se ele previne ou não a osteoporose, uma vez que fornece grandes quantidades de cálcio para os ossos. Uma pesquisa publicada em 2014 pela Universidade de Uppsala, na Suécia, jogou mais lenha sobre a fogueira, ao concluir que o alto consumo de leite (três ou mais copos diários) não só deixou a desejar na proteção dos ossos como até elevou o risco de fraturas. A causa do problema seria a ingestão de galactose proveniente da lactose do leite de vaca, que pode acarretar um processo inflamatório que enfraquece os ossos. Mas os autores do estudo também ponderaram que a galactose é rapidamente expelida pelo nosso organismo e que sua influência negativa sobre a osteoporose só aconteceria em pessoas que sofrem de uma doença chamada galactosemia, que impede a assimilação correta da galactose e causa um excesso de sua acumulação no corpo.

A verdade é que para ter ossos fortes, não adianta só apostar no cálcio. Temos que fazer exercício diariamente, tomar sol e ingerir bastante proteínas da carne e do ovo, por exemplo.

EFEITOS COLATERAIS DO LEITE DE VACA

Como tudo na vida tem o lado bom e o lado ruim, o leite de vaca também apresenta uma série de desvantagens que devem se consideradas pelos adeptos da bebida, principalmente para os que ingerem mais do que um copo de leite por dia.

» Ingestão de 59 tipos diferentes de hormônios, que são produzidos naturalmente pelas vacas e excretado no leite

» Ingestão residual de antibióticos e venenos utilizados pelos produtores de leite para tratamento de doenças das vacas e combate de parasitas, como carrapatos e bernes

» Riscos de calcificação das artérias, devido à baixa relação entre cálcio e magnésio no organismo, e também a formação de pedras nos rins e na vesícula. O cálcio é a base de formação dos cálculos. 

Como se viu neste artigo, a controvérsia do leite ainda está longe de ser resolvida. Assim, a recomendação para quem gosta de leite é: não ingerir mais do que um copo de leite de 200 ml por dia.