Metabolismo: o que é, o que faz e como afeta a sua saúde

Metabolismo: o que é, o que faz e como afeta a sua saúde

Metabolismo é o processo que permite a transformação dos alimentos que ingerimos em energia. Faz também a conversão dos nutrientes em aminoácidos, ácidos graxos, proteínas e lipídeos, dentre várias outras substâncias essenciais para a manutenção e bom funcionamento de nosso organismo. Existem dois tipos de metabolismo: o anabolismo e o catabolismo.

O que é o anabolismo

É através deste metabolismo que construímos moléculas complexas a partir de moléculas simples. Um exemplo é o ar que respiramos, que possui apenas duas moléculas de oxigênio e, por isso, sua fórmula é O2. É considerada uma molécula simples porque é uma substância composta de átomos do mesmo elemento químico. Mas quando o nosso oxigênio se junta com os átomos de outros elementos químicos temos então a formação de uma molécula complexa, como é o caso da insulina, que é composta de carbono, hidrogênio, nitrogênio, oxigênio e enxofre. Além da insulina, é através do anabolismo que produzimos outros hormônios importantes como a testosterona, o GH (hormônio do crescimento), o estrogênio e a progesterona e também o colesterol, esteroide precursor na síntese dos hormônios sexuais (testosterona, estrogênio e progesterona) e de corticoides importantes como o cortisol (ajuda o organismo a controlar o estresse, reduzir inflamações, contribuir para o funcionamento do sistema imune e manter os níveis de açúcar no sangue constantes, assim como a pressão arterial) e a aldosterona (faz a reabsorção de sódio pelo corpo).

A reconstrução muscular, que ocorre principalmente durante atividades físicas intensas que consomem nossa massa muscular, depende essencialmente do metabolismo anabólico, pois a nossa musculatura é formada, basicamente, por moléculas complexas como a água, proteínas, gordura e carboidratos.

Para realizar sua função de construir as moléculas complexas de nosso corpo, o anabolismo consome grandes quantidades de energia. Então, pessoas com baixos níveis de energia terão problemas anabólicos e, consequentemente, estarão sujeitas a várias doenças metabólicas, como veremos mais à frente.

O que é catabolismo

O catabolismo é justamente o inverso do anabolismo, ou seja, é o processo que quebra as moléculas complexas em moléculas simples. Como exemplo temos os polissacarídeos (reservas energéticas, como o amido, o glicogênio e as fibras dos carboidratos) transformados em monossacarídeos, principalmente a glicose, a principal fonte de energia dos seres humanos. Os lipídios que são quebrados para formar os ácidos graxos. Os ácidos nucleicos que são degradados e geram nucleotídeos (armazenam e transportam as informações genéticas através das moléculas de DNA e RNA). E as proteínas que geram aminoácidos.

Papel da tireoide no metabolismo

A tireoide é o órgão localizado na frente da garganta em forma de uma borboleta que regula o metabolismo das proteínas, carboidratos e gorduras em nosso corpo. Os principais hormônios secretados pela tireoide são a triiodotironina (T3), a tetraiodotironina ou apenas tiroxina (T4) e a calcitonina, sendo o T3 e o T4 responsáveis por regular o metabolismo celular e a calcitonina na redução das concentrações de cálcio.

O bom funcionamento da tireoide depende de uma ingestão diária adequada de iodo, que segundo recomendação da Organização Mundial de Saúde é de 0,15 miligramas por dia. O problema é que dificilmente esta dosagem é alcançada através dos alimentos, uma vez que a maioria das terras é pobre em iodo. O leite e o ovo, por exemplo, podem ser boas fontes de ingestão deste nutriente, mas desde que oriundos de animais que tenham pastado em solos ricos em iodo ou que foram alimentados com rações que continham o nutriente. As algas marinhas são os alimentos mais ricos em iodo e com presença garantida deste mineral, mas os brasileiros não têm hábito de seu consumo. Outros alimentos marinhos, como os moluscos, mariscos e peixes também contêm iodo mas em dosagem muito menor.  Portanto, a suplementação é a melhor forma de assegurar a ingestão adequada de iodo. A solução de Lugol é uma fórmula desenvolvida pelo médico francês dr. Jean Guillaume Auguste Lugol no final do século XIX. É muito simples. Contém 5% de iodo inorgânico, 10% de iodeto e 15% de água destilada ou qsp. Pode ser comprada em qualquer farmácia de manipulação. Basta tomar duas gotas em três dedos de água diariamente, de preferência em jejum. Não confundir iodo inorgânico com o iodo orgânico utilizado em alguns medicamentos, que ao contrário são prejudiciais à tireoide.

Hipotiroidismo

Quando a tireoide é deficiente na produção de T3 e T4 ocorre o hipotiroidismo,  condição que acarreta um quadro clínico grave que pode acarretar:

  • cansaço excessivo
  • intolerância ao frio, com propensão inclusive à hipotermia
  • tendência a engordar  devido à retenção de líquidos
  • problemas neurológicos e psiquiátricos, como esquecimento, alterações da personalidade, depressão, dificuldade de expressar emoções e sentimentos, demência ou psicose
  • pele seca
  • aumento do colesterol no sangue
  • desaceleração dos batimentos cardíacos
  • intestino preso
  • queda de cabelo
  •  menstruação irregular nas mulheres
  • coma mixedematoso causado por um hipotireoidismo prolongado, que se caracteriza pela formação de edemas duro e com aspecto de pele opaca  na face e nas pálpebras formando “bolsas” sob os olhos.

Em recém-nascidos, o hipotireoidismo pode ser diagnosticado através da triagem neonatal, conhecida como “Teste do Pezinho”, que deve ser feito, preferencialmente, entre o terceiro e o sétimo dia de vida do bebê. Em caso de resposta positiva ao hipotireoidismo congênito, o tratamento precisa ser iniciado imediatamente sob rigoroso controle médico, para evitar consequências como o retardo mental. Cerca de um a cada 4 mil recém-nascidos possuem hipotireoidismo congênito.

Hipertireoidismo

Quando ocorre o contrário, ou seja, a tireoide passa produzir hormônios excessivamente ocorre um quadro de hipertireoidismo,  que se caracteriza pela aceleração do metabolismo e geralmente causa:

  • emagrecimento, mesmo quando a pessoa come muito
  • batimentos cardíacos rápidos ou irregulares
  • doença de Graves, que faz o sistema imunológico produzir anticorpos que atacam a própria glândula tireoide
  • mãos tremulas com sudorese
  • irritabilidade
  • intolerância a temperaturas quentes
  • intestino solto
  • fraqueza nos músculos
  • queda de cabelo
  • perda de cálcio
  • aumento do volume da tireoide
  • tempestade tireotóxica com manifestações de febre, fraqueza significativa e desgaste muscular, inquietação extrema com alterações emocionais, confusão, psicose, coma, náuseas, vômitos, diarreia e hepatomegalia, com icterícia leve. O paciente pode apresentar colapso cardiovascular e choque. A tempestade tireotóxica é uma emergência que coloca a vida em risco e requer tratamento imediato.

Doenças metabólicas

Além do hipotiroidismo e do hipertireoidismo existem também outras doenças metabólicas graves causadas principalmente pela alimentação moderna muito rica em carboidratos de cadeia curta, ou seja, que se dissolvem rapidamente em glicose no sangue, como massas de farinha de trigo, e bebidas adocicadas como refrigerantes e muitos outros doces. Este estilo de alimentação, aliado ao sedentarismo, vem provocando um aumento significativo da obesidade em todo o mundo, provocando doenças metabólicas como o diabetes, problemas cardiovasculares e pressão alta.

Metabolismo lento

O envelhecimento é a principal causa do metabolismo lento. Depois dos 40 anos de idade, a pessoa geralmente começa a ganhar uns quilinhos a mais, mesmo comendo pouco do jeito que sempre comeu a vida toda. Isto acontece porque o nosso metabolismo passa a produzir menos energia que antes. E isto significa queimar menos calorias. Quando a gente queima menos calorias do que come, o corpo armazena esta sobra em forma de gordura.  Estudos científicos mostram que a queda na produção de energia corporal está diretamente relacionada com a redução do número de mitocôndrias no interior das células.  Essas organelas é que são responsáveis em queimar o oxigênio e transformar a glicose, as gorduras e as proteínas em energia. Além de chegarem a até 20 por cento a menos, as mitocôndrias de uma pessoa idosa são 50 por cento menos eficientes para gerar energia, justamente o processo que define a velocidade do metabolismo.

Como acelerar o metabolismo

A única saída para acelerar o metabolismo, ou seja, fazer as nossas mitocôndrias trabalharem mais na produção de energia é a atividade física. Vale lembrar que isto é fundamental em qualquer estágio da vida, embora com mais preponderância quando começamos a envelhecer. Pois, quanto mais ficamos sedentários menos energia precisamos para manter o nosso corpo e mais preguiçosas vão ficando nossas mitocôndrias. Uma vida ativa exige grandes quantidades de energia e, consequente, um maior esforço das nossas mitocôndrias em queimar calorias.

Contudo, existem também alguns truques que dão uma mãozinha para acelerar o metabolismo:

  • dormir bem, pelo menos 8 horas por noite
  • beber no mínimo 1 litro de água gelada por dia
  • fazer o jejum intermitente de pelo menos 14 horas, iniciando a partir das 19 horas

Metabolismo acelerado

Ao contrário de quem sofre do metabolismo lento, quem tem o metabolismo acelerado dificilmente engorda, mesmo comendo muito. Isto acontece porque esta pessoa queima muito rapidamente as calorias que ingere, ou seja, sua taxa metabólica é alta. Com isto, ela armazena menos gordura no corpo. Contudo, quando o metabolismo acelera demais pode acabar também acarretando problemas de saúde, como Índice de Massa Corporal (magreza) muito abaixo do ideal, hiperatividade, doenças pulmonares, infertilidade feminina, risco de aborto na gravidez,  fraqueza muscular, anemia, aumento da frequência cardíaca, insônia, cansaço e fadiga. Portanto, ser magro demais não é sinal de saúde.

Para controlar o metabolismo acelerado, a pessoa pode aumentar o tempo do intervalo entre as refeições. Ao invés de duas a três horas, como acontece com quem quer emagrecer, o ideal é ficar períodos mais longos sem se alimentar. Com isso, o organismo passa a perceber que precisa economizar energia, pois a próxima refeição irá demorar.  Isto significa desacelerar o metabolismo ou queimar menos caloria, permitindo que a pessoa ganhe uns quilos a mais.