Potássio, entenda como ele funciona e os riscos do excesso e da carência deste mineral

Potássio, entenda como ele funciona e os riscos do excesso e da carência deste mineral

O potássio foi descoberto em 1807 pelo químico britânico Humphry Davy. É um dos minerais essenciais para a saúde humana e também o terceiro mais abundante no corpo, depois do cálcio e do fósforo. Atua, principalmente, no funcionamento normal das células, nervos e músculos e também como eletrólito, minerais que diluídos no sangue conduzem eletricidade dentro do corpo. É através dessa carga elétrica que o cérebro se comunica com todas as nossas células. Mas tanto os níveis altos de potássio, a hipercalamia, como os níveis baixos, a hipocalemia, podem acarretar consequências graves para a saúde. Em condições normais, uma pessoa adulta deve ingerir cerca de 100mEq de potássio por dia, pois 90 meq serão eliminados na formação diária da urina e os outros 10mEq na formação das fezes. mEq significa miliequivalente, a massa molecular em gramas de uma substância química. Um grama de potássio é igual 26mEq. A quantidade de potássio corporal é de cerca de 3.000 mEq (+ 50 mEq/kg de peso). Desse total, 98% está dentro da célula e apenas 2% no sangue, em uma concentração que deve ser mantida em uma faixa estreita de 3,5 a 5,5 mEq/L para o adequado funcionamento das células.

ALIMENTOS RICOS EM POTÁSSIO

A banana é popularmente o alimento mais conhecido como fonte de potássio. Realmente, esta fruta contém quantidades consideráveis de potássio. Uma banana prata fornece 358 miligramas de potássio e a banana nanica 564 miligramas. Mas só a banana não resolve, pois para ingerir diariamente a quantidade ideal de 100mEq de potássio, a pessoa teria que comer cerca de uma dúzia de banana prata ou sete bananas nanicas por dia. É uma quantidade grande de banana que dificilmente alguém vai conseguir consumir diariamente. Assim, é preciso a ingestão de outros alimentos que também são ricos em potássio, como a beterraba, couve-flor, repolho, feijão carioca, abacate, ameixa, goiaba, melancia, pêssego, água de coco e leite de vaca.

EFEITOS DA HIPERCALAMIA

Na hipercalemia, os níveis de potássio no sangue estão excessivamente altos, geralmente acima de 5,5 mEq por litro de sangue. A causa mais comum desse problema é o uso de medicamentos que diminuem o fluxo sanguíneo para os rins ou impedem que os rins excretem quantidades normais de potássio, como é o caso dos anti-inflamatórios ibuprofeno e o naproxeno. Mas pode também ocorrer devido a insuficiência cardíaca, cirrose, deficiência de insulina, acidose e trombocitose, dentre outros problemas. A hipercalamia pode acarretar  lesões renais agudas, principalmente em crianças. Quem tem os rins funcionando normalmente, a ingestão de potássio por meio dos alimentos, mesmo em dosagens mais elevadas, não é suficiente para acarretar a hipercalamia, pois o excesso deste mineral é excretado pela urina. Contudo, para os portadores de deficiência renal o consumo excessivo de potássio pode ser fatal.

EFEITOS DA HIPOCALIEMIA

Também chamada de hipopotassemia, a hipocaliemia, ou carência de potássio no organismo, é definida como uma concentração deste mineral menor do que 3,5 mEq por litro de sangue. Essa condição é um distúrbio hidreletrolítico comum e potencialmente fatal quando grave. Apesar de bem tolerada, quando leve, a hipocaliemia grave aumenta o risco de morbimortalidade em pacientes portadores de doença cardiovascular. Ocorre geralmente associada com um quadro clínico de vômitos incoercíveis, desidratação e oligúria (quando o organismo produz pouca urina). Pode acarretar, inclusive, problemas renais e hipertensão, pois prejudica a eliminação de sódio do corpo. Embora, ainda não haja uma comprovação científica concreta, existem estudos que identificaram uma possível relação entre baixos níveis de potássio com o o surgimento da doença de Parkinson, uma vez que este mineral exerce uma grande influência no funcionamento da nossa musculatura e a doença de Parkinson se caracteriza justamente por uma degeneração do uso de nossos músculos, que leva a pessoa a apresentar uma “tremedeira” e perda da capacidade de segurar ou manipular objetos. Um sintoma menos complicado da hipocaliemia é a aparecimento de cãibras, principalmente durante exercícios físicos. Mas é um sinal de alerta para a pessoa verificar como está o seu nível de potássio no organismo.